Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Dominus exercituum: política, poesia heroica e narrativa bíblica durante o período alfrediano.

Elton O. S. Medeiros

Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo (USP), 2011

Desde o final do século VIII a Inglaterra se via sob os constantes ataques de guerreiros invasores escandinavos. Por volta do ano de 870 quase todas as casas régias da Inglaterra haviam desaparecido e sua aristocracia estava em ruínas. Contudo, ainda restava um último reino: Wessex, governado por Alfred o Grande. No presente trabalho propomos a ideia de que para resistir aos vikings, Alfred reuniu o que havia sobrado da sociedade anglo-saxônica e decidiu que a solução não seria realizar uma reforma puramente intelectual ou militar, mas uma reforma espiritual em seu reino. Para tanto, é elaborada uma ideologia que promovessse uma verdadeira identificação e unidade entre o povo anglo-saxão, que legitimasse o poder de seus líderes e que possibilitasse um novo ideal cristão frente aos invasores. Iremos demonstrar como isso ocorreu através da análise da documentação oriunda da poesia do período (em especial os poemas do manuscrito Junius XI: Gênesis, Êxodo, Daniel e Cristo & Satã), onde encontraremos o conceito do populus Israhel por meio do binômio apostasia/redenção. Conceito que remete a uma tradição de pensadores cristãos como Alcuíno de York, Beda, Gildas, Eusébio de Cesaréia, entre outros; chegando à Inglaterra dos tempos de Alfred, que se apropria disso para criar um mito de origem: o povo anglo-saxão como os herdeiros espirituais dos hebreus do Velho Testamento, a Inglaterra como o Novo Israel. Aliado a isso, veremos na documentação ligada diretamente à pessoa do rei Alfred como foi confeccionada uma genealogia sagrada da Casa de Wessex. Onde, a partir de então, os reis anglo-saxões passavam a ser descendentes de uma linhagem sui generis que remontaria aos heróis do passado germânico, aos patriarcas bíblicos e a um misterioso quarto filho de Noé. Tudo isso por meio de um resgate intelectual através da tradução para o vernáculo de obras como as do Papa Gregório Magno, Boécio, Beda e norteado por um dos aspectos fundamentais da reforma de Alfred: a busca pela Sabedoria como o caminho para se atingir a Deus. O ideal cristão que surgirá a partir disso se manisfestará na documentação do período de forma mais clara na imagem divina do “Senhor dos Exércitos”, que contém em si tanto os aspectos guerreiros quanto intelectuais que Alfred desejava para seu novo reino. E que irão ajuda-lo a confrontar os vikings e que servirão de base para seus descendentes perpetuarem seu reino por um período de quase cem anos. Este período alfrediano será tão importante que não irá se limitar apenas a Wessex, mas em meados do século X dará origem a um único reino da Inglaterra.

Clique aqui para ler (PARTE 01~TESE) & (PARTE 02~APÊNDICES)

ou

TESE_Dominus Exercituum_2011.zip


Abstract: Since the end of the 8th century England was under the constant attacks of Scandinavian warriors invaders. By the year 870 AD almost all royal houses of England had vanished and their aristocracy was in ruins. However, one last kingdom still remained: Wessex, ruled by Alfred the Great. On the present work we propose the idea that to resist against the Vikings, Alfred gathered what had been left of the Anglo-Saxon society and decided that the solution was not to perform a reform purely intellectual or military, but a spiritual reform in his kingdom. So, it is created an ideology that could promote a thrustful identification and unity among the Anglo-Saxon people, which might ensure the power of their leaders and allow a new Christian ideal against the invaders. We will show how this happened through the analysis of the poetic documents from the period (especially the poems of the Junius XI manuscript: Genesis, Exodus, Daniel and Christ & Satan), where we will find the concept of the populus Israhel through the idea of apostasy/redemption. Concept that goes back in a tradition of Christian thinkers as Alcuin of York, Bede, Gildas, Eusebius of Caesarea, among others; and that arrives in England on the times of Alfred, which take it to create a myth of origins: the people of the Anglo-Saxons as the spiritual heirs of the Hebrews of the Old Testament, England as the New Israel. Together with this, we will see in the documents directly related to king Alfred’s person how was forged a sacred genealogy of the House of Wessex. On this, since then, the Anglo-Saxon kings became decendants of a sui generis lineage that goes back to the heroes of the Germanic past, to the biblical patriarcs and to a mysterious forth son of Noah. All of this by an intellectual rescue through the translation to the vernacular language of works of authors like the pope Gregory the Great, Boethius, Bede and guided by one of the main aspects of the Alfred’s reform: the search for Wisdom as the path to reach God. The Christian ideal that will raise by this are going to be manifested in the documents of the period in its clearer form of the divine image of the “Lord of the Hosts”, which has in it the warrior aspects as also the intellectual ones that Alfred wished for his new kingdom. And that will help him to face the Vikings and will be used as a base for his descendants to maintain their kingdom for a period of almost a hundred years long. This Alfredian period is going to be so important that will not be restricted just to Wessex, but in the mid-tenth century will give birth to only one kingdom of England.

Click here to read (PART 01~THESIS) & (PART O2~APPENDIX)

ou

TESE_Dominus Exercituum_2011.zip